Enquanto as terapias atuais para o HIV conseguem, com sucesso, gerenciar a infecção ativa, o vírus pode sobreviver em reservatórios de tecidos, incluindo as células macrófagas, e continuam sendo um problema persistente. Agora, pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, descobriram uma nova forma de atacar o micro-organismo que poderá erradicar esses santuários, como são chamados, sem danificar as células saudáveis. No estudo, publicado na revista Pnas, os pesquisadores descrevem como um regulador genético chamado SAF ajuda os macrófagos infectados a evitar a morte celular. Depois de bloquear o SAF nessas células, eles descobriram que os reservatórios se autodestroem. “Estamos surpresos com a especificidade da morte celular. Apenas as (células) infectadas morreram, enquanto que as saudáveis, mesmo que expostas ao mesmo tratamento, e à mesma dosagem, não foram afetadas de maneira alguma”, comenta David Russell, um dos principais autores do estudo.

Enquanto os macrófagos — células imunes que consomem seres externos que entram no corpo — são importantes para lutar contra certos micróbios, eles também fornecem o ambiente ideal para o HIV. Alguns pesquisadores acreditam que essas células, quando infectadas, sejam os reservatórios para o vírus persistente. “As drogas anti-HIV que temos hoje trabalham realmente bem com a infecção ativa, mas os reservatórios são o problema. Os locais de persistência viral são resistentes a todos os tratamentos conhecidos”, explica Russell.

Reguladores O pesquisador e a equipe queriam investigar os mecanismos celulares que ajudaram a manter os macrófagos infectados vivos e voltaram a atenção para RNAs longos não codificantes (lncRNAs) — elementos de codificação genética que transformam os genes, mas não se traduzem diretamente em proteínas. “Eles são conhecidos como ‘reguladores mestres’ das vias celulares e não foram realmente analisados sistematicamente na infecção pelo HIV”, assinala Russell. O grupo examinou um painel de 90 lncRNAs bem caracterizados em três populações distintas de macrófagos humanos: células saudáveis, células infectadas pelo HIV e células ‘espectadoras’ — aquelas que foram expostas ao HIV, mas não ficaram infectadas.

Os cientistas descobriram que um lncRNA chamado SAF foi significativamente suprimido nos macrófagos infectados pelo HIV. Estudos anteriores descobriram que o SAF preveniu a apoptose, ou autodestruição, nas células. Russell e equipe suspeitaram que o SAF estava protegendo os macrófagos infectados pelo HIV da morte. Para provar essa teoria, eles bloquearam sua ação nas populações de células saudáveis, infectadas e espectadoras. Aquelas contaminadas pelo vírus da Aids repentinamente se autodestruíram, enquanto as demais permaneceram ilesas.

A descoberta se encaixa em um novo ângulo no enfrentamento ao HIV: destruir seletivamente células infectadas persistentemente. “Planejamos fazer uma triagem de drogas para compostos que direcionam as células infectadas pelo HIV para a morte celular programada”, diz Russell. A equipe começará procurando inibidores da SAF, mas também investigará outras moléculas que efetivamente erradiquem as células do reservatório por meio de outros mecanismos.

Fonte: Jornal Correio Braziliense

Fonte: panoramafarmaceutico.com.br/2019/03/26/estrategia-erradica-virus-persistente