economiaCom o aumento da expectativa de desaceleração da economia global, o cenário para países emergentes se torna cada vez mais desafiador. Em meio aos temores de uma nova recessão nos Estados Unidos e, consequentemente, do mundo, as nações em desenvolvimento acabam sendo afetadas diretamente. As moedas desvalorizam, e as previsões de expansão diminuem enquanto EUA e China travam uma guerra comercial que afeta a todos. O Brasil liderou as perdas nos últimos dias e acumula desvalorização de 15% do real nos últimos 30 dias, de acordo com os cálculos de André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o aumento da tensão externa pode afetar o Brasil em 0,2 ponto percentual, mas o PIB do segundo trimestre ainda não deve refletir essa piora no cenário internacional. “O PIB do segundo semestre pode ser afetado pela piora adicional na Argentina e no mundo, e a nossa projeção de 0,9% pode vir pior do que isso”, disse ele, que pretende revisar a estimativa para 0,7%. “O maior problema é para 2020 com o cenário internacional em crise mais profunda. Devemos revisar o PIB do ano que vem de 2% para 1,5% quando for divulgado o resultado na quinta-feira”, antecipou.

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As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o mundo está crescendo menos, assim como as economias em desenvolvimento neste ano. A Índia com sua explosão populacional segue na contramão do mundo e deverá continuar crescendo até mais do que a China. O país asiático apresentou a menor evolução do PIB desde 1992, ao crescer 6,2% no primeiro trimestre.

Nesta quinta-feira (29/8), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB nacional do segundo trimestre. Há expectativa no mercado de crescimento de no máximo 0,4% ou até mesmo negativo em até 0,3%. Se isso acontecer, o país entrará em recessão técnica, pois o PIB encolheu 0,2% no primeiro trimestre do ano. A estimativa do FMI para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano está em linha com a do governo e a do mercado, de 0,8%. Esse dado, no entanto, é 1,3 ponto percentual inferior ao que o Fundo esperava em abril: 2,1%.

A certeza entre analistas é de que o país terá um grande desafio pela frente: voltar a crescer com o mundo desacelerando. Segundo Luka Barbosa, economista sênior do Itaú Unibanco, a relação entre o crescimento do Brasil com o mundo é de 1×1, ou seja, “se o mundo deixar de crescer um ponto percentual, o PIB nacional desacelera um ponto percentual”. Logo, o enfraquecimento da atividade nos Estados Unidos e na China afeta os emergentes, e, em especial, o Brasil, que tem nessas duas economias os maiores parceiros comerciais. “O crescimento da China determina o preço das commodities no mundo, e isso afeta o Brasil diretamente, inclusive, os investimentos. Como o mundo está desacelerando com essa nova guerra comercial, isso dificulta o crescimento da economia brasileira”, afirmou.

A desaceleração chinesa afeta as exportações nacionais, que recuaram 1,25% no acumulado de janeiro a julho, conforme dados do Ministério da Economia. “Antigamente, a gente ouvia falar em recessão global, mas, só agora, conseguimos enxergar que está chegando. Mas não conseguimos prever qual a dimensão ainda”, disse o presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, reforçou que “problemas domésticos” também empacam a economia brasileira. “Com o baixo número de investimento e o consumo das famílias crescendo pouco, além do alto número de desempregados e da queda no nível de renda, a tendência é de que haja uma retração do PIB em relação ao primeiro trimestre”, analisou. Agostini está entre os mais pessimistas e espera queda de 0,3% no PIB do segundo trimestre, mas acredita que o resultado, independentemente de ser positivo ou negativo, não será um susto para o governo.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

Mais fraco

Veja como o PIB de algumas economias em desenvolvimento devem desacelerar neste ano, acompanhando a economia global Variação do PIB (em %) País  —  2018    2019* Argentina    -2,5    -1,2 Brasil    1,1    0,8 Chile    4,0    3,4 China    6,6    6,2 Índia    6,8    7,0 México    2,0    0,9 Paraguai    3,7    3,5 Peru    4,0    3,9 Uruguai    2,1    1,9 Venezuela    -18,0    -25,0 Mundo

Caixa prorroga renegociação

Pessoas físicas e jurídicas que têm dívidas com a Caixa Econômica Federal ganharam mais tempo para renegociar. O banco prorrogou, para 31 de dezembro, a campanha Você no Azul, que prevê descontos de até 90% para liquidação à vista de alguns débitos. A campanha abrange cerca de 3 milhões de clientes, 80% de pessoas físicas. Até o momento, 297 mil contratos foram liquidados, correspondendo a R$ 2 bilhões. De acordo com a instituição, há outras alternativas de negociação para empresas. “No crédito comercial, é possível unificar os contratos em atraso e parcelar em até 96 meses, realizar uma pausa no pagamento de até uma prestação vencida ou a vencer ou ainda efetuar a repactuação de dívida, com possibilidade de aumento do prazo”, informou o banco. Para contratos habitacionais, as condições variam de acordo com as características do contrato e tipo de operação, mas há possibilidade de pagar uma entrada e incorporar as demais parcelas em atraso.

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Fonte: Correio Braziliense

Fonte: panoramafarmaceutico.com.br/2019/08/29/desaceleracao-mundial-e-o-grande-desafio-da-economia-brasileira